O chamado que amadurece com o tempo

Conheça a trajetória vocacional do Padre José Luiz Garcia Albuquerque.

VIDA EM TESTEMUNHO

Matheus Quizadas

11/4/20253 min read

Padre José Luiz Garcia Albuquerque, natural de José Bonifácio (SP), descobriu sua vocação ainda na infância, inspirado pela fé da família e pela vivência na comunidade. Aos 12 anos, ingressou no seminário menor, iniciando uma formação de 12 anos marcada por desafios, amadurecimento e profunda convivência humana. Influenciado pelo Monsenhor Ângelo Angioni, entendeu o chamado como um compromisso diário de fidelidade e partilha. Com mais de 40 anos de sacerdócio, ele segue com entusiasmo na missão, destacando a importância de estar próximo do povo e renovar o “sim” a Deus todos os dias. Sua trajetória é um exemplo vivo de vocação construída com humildade e perseverança.

Foto de divulgação: Arquidiocese de São José do Rio Preto

A vocação nasce no coração e floresce na constância das pequenas respostas. Foi assim com o Padre José Luiz Garcia Albuquerque, natural de José Bonifácio (SP), hoje com 64 anos, vice reitor do Seminário Arquidiocesano de São José do Rio Preto e vigário da catedral de São José, cuja caminhada vocacional começou ainda na infância, alimentada pela fé da família e pelas experiências simples vividas na comunidade.

“Desde pequeno, meus pais sempre foram muito ligados à Igreja. Nós participávamos das missas todos os fins de semana. Fiz a primeira comunhão, fui coroinha e, aos poucos, comecei a sentir o desejo de servir mais intensamente a Deus”, recorda. O despertar definitivo veio por meio de um colega de escola, também seminarista, que o convidou a conhecer o Monsenhor Ângelo Angioni, figura decisiva em seu discernimento vocacional. “Ele era um homem muito sábio e compreensivo. Conversar com ele abriu minha mente e meu coração para entender o verdadeiro sentido do chamado.”

Em 1973, aos 12 anos de idade, José Luiz ingressou no seminário menor, dando início a uma longa trajetória de formação que durou doze anos, seis no seminário menor e seis no seminário maior. “Foram tempos de desafios, de crises e amadurecimento. Aprendi muito com os reitores e padres espirituais, que nos orientavam com paciência. A formação me ajudou a compreender que o chamado de Deus é algo que precisa ser cultivado todos os dias, com fidelidade e humildade.”

Padre José Luiz relembra com carinho o ambiente formativo da época: “Não tínhamos tantas distrações como hoje, nada de celular ou internet. Isso nos fazia olhar mais para as pessoas, conviver de perto, escutar e aprender. Essa proximidade humana foi um grande aprendizado. A convivência com colegas e professores me ensinou a respeitar, partilhar e viver em comunidade.”

Para ele, a formação sacerdotal não se resume a estudos, mas a uma profunda experiência de humanidade. “Aprendemos a ver o outro como parte de nós. Era um exercício constante de fraternidade. Não guardar nada só para si, nem mesmo um pedaço de bolo, tudo devia ser partilhado. Isso me marcou profundamente.”

Com mais de quatro décadas de vida presbiteral, Padre José Luiz mantém vivo o entusiasmo de servir. “O Papa Francisco nos lembra que o pastor deve ter o cheiro das ovelhas. Isso significa estar perto do povo, compartilhar suas alegrias e dores. O padre é chamado a consolar, a chorar com os que sofrem e a se alegrar com os que se levantam.”

Hoje, com a serenidade de quem trilhou um longo caminho, ele resume sua vocação como uma missão diária de amor e entrega: “O ‘sim’ dado a Deus não é único, é renovado a cada dia. A vocação incomoda, e graças a Deus que incomoda, porque nos faz repensar constantemente quem somos e a quem servimos. É essa inquietação santa que mantém viva a chama do chamado.”

A história do Padre José Luiz é um testemunho de perseverança e fé. Um lembrete de que a vocação é uma resposta que se constrói com o tempo, feita de escuta, entrega e um coração disposto a servir sempre mais.

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