Doutrina Social da Igreja: esperança, compromisso e transformação
SEMANA ACADÊMICAIMPORTANTES


Semana Acadêmica do CES Sagrado Coração de Jesus reacende o chamado à ação dos cristãos no mundo
O Diretório Acadêmico do Centro de Estudos Superiores “Sagrado Coração de Jesus” realizou a Semana Acadêmica dos cursos de Filosofia e Teologia. O evento aconteceu nos dias 13, 14 e 15 de outubro de 2025, no Centro Arquidiocesano de Pastoral São José. Seminaristas, professores e formadores, dedicaram à reflexão sobre a Doutrina Social da Igreja (DSI) e sua atualidade diante dos desafios contemporâneos. O evento uniu fé e compromisso social em um verdadeiro chamado à conversão pastoral.
Logo na abertura, Dom Reginaldo destacou a urgência de uma “visão sociopastoral” que una Palavra, Eucaristia, Caridade e Ação Missionária. Relembrou que a Igreja tem insistido em avançar no conhecimento e assumir uma missão sociotransformadora. “Muito se faz e pouco se conhece”, afirmou. Citando a Evangelii Gaudium e a Dilexi te, o bispo apresentou as quatro dimensões da caridade de Cristo: assistencial, promocional, reivindicativa e política. “A pobreza e a marginalização não são fenômenos individuais”, afirmou, defendendo que a caridade cristã deve abranger toda a estrutura social, orientando os fiéis para uma vida fraterna e transformadora.
A Professora Rosana Manzini, da PUC-SP, convidada para aprofundar o tema, trouxe uma análise profunda sobre “A Doutrina Social da Igreja: fundamentos e a contribuição do magistério do Papa Francisco”. “Um dos grandes impedimentos é a falta de conhecimento da própria doutrina social da Igreja. Ela [Doutrina Social da Igreja] não é ensinada, e os nossos leigos não a conhecem”, comentou a professora. Manzini também lamentou que “os leigos, primeiros sujeitos da DSI, desconhecem aquilo que deveriam aplicar no mundo político, social e econômico”, ao mesmo tempo em que deixou uma mensagem de esperança aos seminaristas. “Acreditem que o mundo pode ser diferente. Vocês têm papel preponderante nesse processo de humanização”, completou.
As reflexões do segundo dia se aprofundaram no contexto brasileiro, marcado por ameaças que ferem a dignidade humana. Inspirando-se no magistério do Papa Francisco, a palestrante denunciou os “rostos do anti-Reino”: a idolatria extrativista, a necropolítica da descartabilidade, o roubo do futuro, a desfiguração do santuário familiar e a colonização das mentes. “A Igreja deve denunciar as estruturas que matam – o que é difícil, pois muitas vezes elas nos beneficiam”, destacou. O que confirma o pedido do Papa Francisco em sua homilia em 19 de março de 2013 - “Devemos ser guardiões da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do meio ambiente e de nós mesmos”.
Na mesa redonda, finalizando o segundo dia, o tom foi de provocação e esperança. Igor Seminatti partilhou: “Eu vi o Evangelho vivido, e isso me provocou” referindo-se a uma experiência vocacional-missionária que fez, insistindo que é preciso dialogar e sentar-se à mesa com quem pensa diferente. A professora lembrou que a experiência do encontro passa por uma decisão: é você que escolhe. E o Padre Ronaldo alertou: “A Igreja está perdendo o papel de educadora da sociedade, porque fala mais do inferno e do céu do que da vida concreta”.
Encerrando a Semana Acadêmica, no dia 15, os seminaristas realizaram uma visita em Jací/SP, guiados pelos freis da Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus. A visita iniciou-se com o Frei Tarcísio, que acolheu o grupo e apresentou o surgimento da Fraternidade, nascida do sonho de Frei Francisco, “um sonho pequeno que Deus e a generosidade do povo tornaram grande”. A obra nasceu do desejo de cuidar daqueles que ninguém queria cuidar, em tempos em que a AIDS ainda era um tabu e não havia SUS para garantir assistência digna. De uma casa simples que atendia sete pessoas, a Fraternidade hoje acolhe centenas de pacientes em diversos hospitais com diversas enfermidades e realidades, sendo testemunho vivo da Doutrina Social da Igreja. Após conhecerem o hospital das crianças e a chácara que acolhe dependentes químicos, os seminaristas viram, na prática, o que o Papa Francisco chama de Igreja em saída, que toca as feridas do povo e oferece uma nova oportunidade de vida.
A Semana Acadêmica encerrou-se com um convite à esperança ativa e ao compromisso com a transformação social, sintetizado nas palavras do Papa Francisco: “A Igreja falha se não gera esperança”. Mais que um evento teórico, a Semana foi um chamado à ação, despertando nos seminaristas e leigos o desejo de conhecer, viver e ensinar a Doutrina Social da Igreja – para que, como pediu o Papa, sejamos verdadeiramente “guardiões da criação e do outro”, tornando o Evangelho visível nas realidades humanas.
